Sandro Mendes é o criador da Coluna do Ayrton Piquetoso, a qual, desde janeiro de 2008, vem sendo veiculada por dezenas de sites no Brasil e em Portugal.
Sandro é jornalista formado pela Universidade Católica de MG e atualmente é o Diretor de Redação da Gizz Publicidade e da Revista Sucesso.
Recentemente ele cedeu entrevista ao jornalista mineiro Luiz Rogério Louro, do jornal Alternativa, quando falou da Coluna do Ayrton Piquetoso, grandes tragédias pessoais e Fórmula 1. Vale a pena conferir.
1) A coluna de humor Ayrton Piquetoso é um sucesso absoluto na internet. Como pode uma pessoa com grandes tragédias pessoais como você escrever sobre humor? É uma fuga?
De certa forma, sim. É uma forma de fugir da realidade. Às vezes me sinto como aquele sujeito que chega da guerra e não consegue se adequar muito bem à sociedade. Estive à beira do suicídio mais de uma vez. Hoje minha vida se estabilizou novamente.
2) Você foi diretor de marketing de uma grande empresa e sua posição social ocasionou o seqüestro do seu filho, noticiado nos principais órgãos de imprensa do Brasil. Um ano depois, sua mulher, com depressão, morreu em conseqüência do seqüestro, deixando você com uma filha de três anos na época. Como você se encontra hoje?
O meu maior objetivo na vida hoje é ter paz. Casei-me de novo. Estar com a minha mulher e os meus filhos é tudo para mim. Em função do que passei em 2002 e 2003, meu pai teve câncer no intestino e problemas graves de coração. Ninguém é o mesmo após um seqüestro de 26 dias e uma morte trágica logo em seguida. Acredito que poucas coisas no mundo sejam mais doloridas do que o que ocorreu comigo e minha família. Superei por causa dos meus filhos, dos meus pais e da minha atual mulher.
3) Houve muita polêmica na época. Havia uma versão de que o crime era político, pois você, além de vereador, tinha sido assessor de dois deputados e de um secretário de Estado. O seqüestro foi totalmente esclarecido?
Sim. O crime não tinha nada de político. Por incrível que pareça, o mandante foi mesmo o braço direito de um juiz criminal, que era meu amigo, jogava futebol comigo. Já o negociador era Célio Marcelo da Silva, vulgo Bin Laden, um dos maiores sequestradores do Brasil, que depois seqüestrou a mãe do jogador Robinho, do Real Madrid e a sra. Inês Fidelis Régis, mãe do jogador Rogério, do Sporting de Portugal.
4) E como está seu filho hoje?
Relativamente bem. Ninguém é o mesmo depois de ser torturado.
5) A morte da sua mulher também gerou muita controversa. Chegaram a falar que era suicídio. O que ocorreu?
É a primeira vez que falo sobre isso publicamente, porque é muito dolorido para mim. Após o seqüestro, passamos a tomar anti-depressivos e remédios para dormir, mas já não éramos mais as mesmas pessoas. Minha mulher passou a beber. Um dia ela bebeu muito, passou mal e caiu de cabeça no degrau da banheira de hidromassagem. Foi levada de helicóptero para Belo Horizonte, ficou em coma alguns dias e então morreu. Mas eu gostaria de mudar de assunto agora.
6) Como surgiu a Coluna do Ayrton Piquetoso?
Sempre gostei muito de automobilismo e cheguei a correr de kart uma época. O nome da coluna é uma homenagem a Senna e Piquet, os dois maiores nomes brasileiros na Fórmula 1. Criei a coluna no início de 2007, mas comecei a divulgá-la em 2008 e hoje já estamos em dezenas de sites, jornais impressos e rádios.
7) Qual a inspiração para os textos, sempre muito engraçados?
Muitos desses textos são baseados em histórias reais. Cresci em uma cidade pequena, onde todo mundo sabe o que acontece e as histórias se espalham facilmente. Outra fonte é o meu pai e o meu sogro, dois grandes contadores de casos. Alguns textos, como “Um Cachorro chamado De Cesaris”, foram criados por mim recentemente.
8) Qual dos casos você gosta mais?
Gosto de vários, mas “O Parente da Vítima”” eu acho sensacional, porque na verdade é uma história real, acontecida com um fazendeiro da minha cidade. Eu apenas adaptei o texto para o automobilismo.
9) Você já venceu vários concursos de contos, poemas e crônicas, teve letra de música campeã em festival, compôs para tema de Carnaval, teve letra gravada pelo cantor Paulynho Duarte e agora escreve sobre humor, além de ser redator publicitário. O que é mais fácil e o que é mais difícil de escrever?
Letra de música é complicado, porque precisa estar em sintonia perfeita com a melodia. Acho a crônica narrativa o mais fácil.
10) Quem foi melhor, Senna ou Piquet?
Na minha opinião, o Senna foi melhor piloto. Já o Piquet, além de excelente piloto, é também uma grande figura, um grande personagem. Ele é o Romário da Fórmula 1, cheio de manha e de frases de efeito. O Senna parecia um andróide programado para vencer. Já o Piquet, além de grande piloto, é um sujeito que curte a vida e eu me identifico mais com ele.
11) Quem foi melhor, Senna ou Schumacher?
Continuo com o Senna, embora o Schumacher fosse excepcional. É curioso lembrar que, até na hora da morte, Senna estava em primeiro lugar. E coincidência ou não, na frente do Schumacher. Isso é simbólico.
12) Quem é o melhor piloto da atualidade?
Acho que o Lewis Hamilton é o melhor. Torço para o Felipe Massa e para o Nelsinho Piquet, mas a parada não vai ser fácil, principalmente considerando ainda o Alonso e o Haikkonen. A Fórmula 1 está muito interessante.
13) Na interatividade da internet, você acaba recebendo muitos elogios e críticas. Como enfrenta isso?
O automobilismo é um assunto muito frio e fazer rir com esse tema não é fácil. Justamente por isso, os textos humorísticos sobre corridas são raríssimos em todo o mundo. Faço o que posso. Agradeço de coração os elogios. São um incentivo. Quanto às críticas, simplesmente eu as ignoro. O compromisso da Coluna do Ayrton Piquetoso é com a alegria. Nela não cabe amargura.
14) Você constantemente dá umas espetadas no Rubens Barrichello. É perseguição?
Não. Acho que o Rubinho, o Fisichella, o Ralph e o Coulthard já tiveram a oportunidade deles. São de outra geração. Penso que o momento deles já passou, infelizmente, como tudo na vida. Estou lançando outra coluna sobre automobilismo, chamada “O Piloto X”, uma homenagem ao personagem Corredor X, irmão do Speed Racer, um sujeito amargurado, isolado, que usa uma máscara para se esconder das dores da vida. O Corredor X se parece muito com o Batman e em alguns aspectos me identifico muito com esses dois personagens. Nessa coluna vou falar do lado dramático e ao mesmo tempo poético das corridas e um dos primeiros assuntos é justamente a trajetória do Rubinho, do Fisichella, do Ralph e do Coulthard. Talvez eles não tenham percebido ou não queiram perceber, mas a hora é de parar, antes que comecem a passar por situações como a que o Ralph passou na Force India recentemente. É a minha opinião pessoal, embora isso não queira dizer que eu esteja certo.
Sandro é jornalista formado pela Universidade Católica de MG e atualmente é o Diretor de Redação da Gizz Publicidade e da Revista Sucesso.
Recentemente ele cedeu entrevista ao jornalista mineiro Luiz Rogério Louro, do jornal Alternativa, quando falou da Coluna do Ayrton Piquetoso, grandes tragédias pessoais e Fórmula 1. Vale a pena conferir.
1) A coluna de humor Ayrton Piquetoso é um sucesso absoluto na internet. Como pode uma pessoa com grandes tragédias pessoais como você escrever sobre humor? É uma fuga?
De certa forma, sim. É uma forma de fugir da realidade. Às vezes me sinto como aquele sujeito que chega da guerra e não consegue se adequar muito bem à sociedade. Estive à beira do suicídio mais de uma vez. Hoje minha vida se estabilizou novamente.
2) Você foi diretor de marketing de uma grande empresa e sua posição social ocasionou o seqüestro do seu filho, noticiado nos principais órgãos de imprensa do Brasil. Um ano depois, sua mulher, com depressão, morreu em conseqüência do seqüestro, deixando você com uma filha de três anos na época. Como você se encontra hoje?
O meu maior objetivo na vida hoje é ter paz. Casei-me de novo. Estar com a minha mulher e os meus filhos é tudo para mim. Em função do que passei em 2002 e 2003, meu pai teve câncer no intestino e problemas graves de coração. Ninguém é o mesmo após um seqüestro de 26 dias e uma morte trágica logo em seguida. Acredito que poucas coisas no mundo sejam mais doloridas do que o que ocorreu comigo e minha família. Superei por causa dos meus filhos, dos meus pais e da minha atual mulher.
3) Houve muita polêmica na época. Havia uma versão de que o crime era político, pois você, além de vereador, tinha sido assessor de dois deputados e de um secretário de Estado. O seqüestro foi totalmente esclarecido?
Sim. O crime não tinha nada de político. Por incrível que pareça, o mandante foi mesmo o braço direito de um juiz criminal, que era meu amigo, jogava futebol comigo. Já o negociador era Célio Marcelo da Silva, vulgo Bin Laden, um dos maiores sequestradores do Brasil, que depois seqüestrou a mãe do jogador Robinho, do Real Madrid e a sra. Inês Fidelis Régis, mãe do jogador Rogério, do Sporting de Portugal.
4) E como está seu filho hoje?
Relativamente bem. Ninguém é o mesmo depois de ser torturado.
5) A morte da sua mulher também gerou muita controversa. Chegaram a falar que era suicídio. O que ocorreu?
É a primeira vez que falo sobre isso publicamente, porque é muito dolorido para mim. Após o seqüestro, passamos a tomar anti-depressivos e remédios para dormir, mas já não éramos mais as mesmas pessoas. Minha mulher passou a beber. Um dia ela bebeu muito, passou mal e caiu de cabeça no degrau da banheira de hidromassagem. Foi levada de helicóptero para Belo Horizonte, ficou em coma alguns dias e então morreu. Mas eu gostaria de mudar de assunto agora.
6) Como surgiu a Coluna do Ayrton Piquetoso?
Sempre gostei muito de automobilismo e cheguei a correr de kart uma época. O nome da coluna é uma homenagem a Senna e Piquet, os dois maiores nomes brasileiros na Fórmula 1. Criei a coluna no início de 2007, mas comecei a divulgá-la em 2008 e hoje já estamos em dezenas de sites, jornais impressos e rádios.
7) Qual a inspiração para os textos, sempre muito engraçados?
Muitos desses textos são baseados em histórias reais. Cresci em uma cidade pequena, onde todo mundo sabe o que acontece e as histórias se espalham facilmente. Outra fonte é o meu pai e o meu sogro, dois grandes contadores de casos. Alguns textos, como “Um Cachorro chamado De Cesaris”, foram criados por mim recentemente.
8) Qual dos casos você gosta mais?
Gosto de vários, mas “O Parente da Vítima”” eu acho sensacional, porque na verdade é uma história real, acontecida com um fazendeiro da minha cidade. Eu apenas adaptei o texto para o automobilismo.
9) Você já venceu vários concursos de contos, poemas e crônicas, teve letra de música campeã em festival, compôs para tema de Carnaval, teve letra gravada pelo cantor Paulynho Duarte e agora escreve sobre humor, além de ser redator publicitário. O que é mais fácil e o que é mais difícil de escrever?
Letra de música é complicado, porque precisa estar em sintonia perfeita com a melodia. Acho a crônica narrativa o mais fácil.
10) Quem foi melhor, Senna ou Piquet?
Na minha opinião, o Senna foi melhor piloto. Já o Piquet, além de excelente piloto, é também uma grande figura, um grande personagem. Ele é o Romário da Fórmula 1, cheio de manha e de frases de efeito. O Senna parecia um andróide programado para vencer. Já o Piquet, além de grande piloto, é um sujeito que curte a vida e eu me identifico mais com ele.
11) Quem foi melhor, Senna ou Schumacher?
Continuo com o Senna, embora o Schumacher fosse excepcional. É curioso lembrar que, até na hora da morte, Senna estava em primeiro lugar. E coincidência ou não, na frente do Schumacher. Isso é simbólico.
12) Quem é o melhor piloto da atualidade?
Acho que o Lewis Hamilton é o melhor. Torço para o Felipe Massa e para o Nelsinho Piquet, mas a parada não vai ser fácil, principalmente considerando ainda o Alonso e o Haikkonen. A Fórmula 1 está muito interessante.
13) Na interatividade da internet, você acaba recebendo muitos elogios e críticas. Como enfrenta isso?
O automobilismo é um assunto muito frio e fazer rir com esse tema não é fácil. Justamente por isso, os textos humorísticos sobre corridas são raríssimos em todo o mundo. Faço o que posso. Agradeço de coração os elogios. São um incentivo. Quanto às críticas, simplesmente eu as ignoro. O compromisso da Coluna do Ayrton Piquetoso é com a alegria. Nela não cabe amargura.
14) Você constantemente dá umas espetadas no Rubens Barrichello. É perseguição?
Não. Acho que o Rubinho, o Fisichella, o Ralph e o Coulthard já tiveram a oportunidade deles. São de outra geração. Penso que o momento deles já passou, infelizmente, como tudo na vida. Estou lançando outra coluna sobre automobilismo, chamada “O Piloto X”, uma homenagem ao personagem Corredor X, irmão do Speed Racer, um sujeito amargurado, isolado, que usa uma máscara para se esconder das dores da vida. O Corredor X se parece muito com o Batman e em alguns aspectos me identifico muito com esses dois personagens. Nessa coluna vou falar do lado dramático e ao mesmo tempo poético das corridas e um dos primeiros assuntos é justamente a trajetória do Rubinho, do Fisichella, do Ralph e do Coulthard. Talvez eles não tenham percebido ou não queiram perceber, mas a hora é de parar, antes que comecem a passar por situações como a que o Ralph passou na Force India recentemente. É a minha opinião pessoal, embora isso não queira dizer que eu esteja certo.



Nenhum comentário:
Postar um comentário