O PILOTO X, n.o 34
O tempo é o senhor do mundo. É capaz de transformar coisas sólidas em poeira e, por outro lado, pode agrupar moléculas, como um quebra- cabeça, e formar montanhas.
O tempo é capaz de modificar até mesmo o pensamento dos homens, dando novo rumo às suas vidas. Mas o tempo tem pressa, não pára.
E foi na pressa do tempo que mais de 30 anos se passaram desde que meu pai adquiriu uma Variant amarela no ano de 1974. Com motor 1600, quatro faróis, dois bagageiros, a Variant naquela época era “o carro”.
No entanto, por volta de 1980 ela começou a perder terreno. A indústria automobilística apresentava novos modelos, inclusive com cores mais discretas.
Foi quando nossa Variant ganhou o apelido que a eternizou: Margarida, visto que sua cor realmente lembrava o amarelo do botão das margaridas.
Então meu Pai manifestou o desejo de vendê-la. Alguns amigos meus protestaram. Pensaram até em fazer um abaixo-assinado contra a venda da Variant.
A história da Margarida confunde-se com a história de nossa adolescência, os jogos de bola, os churrascos, os bailes pelos quatros cantos da cidade. Mais do que um carro, a Margarida era membro da turma. Dividia as nossas bagunças, os nossos segredos, os nossos amores.
Porém, o tempo não parou para nós e muito menos para a Margarida. Da nossa turma, alguns se foram precocemente, outros se mudaram e a Margarida, uma Variant e, o que é pior, amarela, com um motor barulhento, acabou deixada de lado.
A bem da verdade, já não servia aos nossos propósitos e nem aos do meu pai, que acabou por vendê-la. O tempo transformou-nos a todos.
Outro dia eu vi a velha Variant numa foto na casa de um amigo. Um sentimento de saudade me invadiu e me veio um nó na garganta.
A Margarida agora trafega somente pelas ruas de nossas lembranças, única defesa que temos contra a pressa dos anos. Na estrada do tempo, o passado é contramão.
Um abraço do Piloto X. Paz.
O tempo é o senhor do mundo. É capaz de transformar coisas sólidas em poeira e, por outro lado, pode agrupar moléculas, como um quebra- cabeça, e formar montanhas.
O tempo é capaz de modificar até mesmo o pensamento dos homens, dando novo rumo às suas vidas. Mas o tempo tem pressa, não pára.
E foi na pressa do tempo que mais de 30 anos se passaram desde que meu pai adquiriu uma Variant amarela no ano de 1974. Com motor 1600, quatro faróis, dois bagageiros, a Variant naquela época era “o carro”.
No entanto, por volta de 1980 ela começou a perder terreno. A indústria automobilística apresentava novos modelos, inclusive com cores mais discretas.
Foi quando nossa Variant ganhou o apelido que a eternizou: Margarida, visto que sua cor realmente lembrava o amarelo do botão das margaridas.
Então meu Pai manifestou o desejo de vendê-la. Alguns amigos meus protestaram. Pensaram até em fazer um abaixo-assinado contra a venda da Variant.
A história da Margarida confunde-se com a história de nossa adolescência, os jogos de bola, os churrascos, os bailes pelos quatros cantos da cidade. Mais do que um carro, a Margarida era membro da turma. Dividia as nossas bagunças, os nossos segredos, os nossos amores.
Porém, o tempo não parou para nós e muito menos para a Margarida. Da nossa turma, alguns se foram precocemente, outros se mudaram e a Margarida, uma Variant e, o que é pior, amarela, com um motor barulhento, acabou deixada de lado.
A bem da verdade, já não servia aos nossos propósitos e nem aos do meu pai, que acabou por vendê-la. O tempo transformou-nos a todos.
Outro dia eu vi a velha Variant numa foto na casa de um amigo. Um sentimento de saudade me invadiu e me veio um nó na garganta.
A Margarida agora trafega somente pelas ruas de nossas lembranças, única defesa que temos contra a pressa dos anos. Na estrada do tempo, o passado é contramão.
Um abraço do Piloto X. Paz.



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